Poema: Triste Solidão
Solidão...
Triste Solidão...
Árido refúgio dos santos e eremitas afastados.
Estranha habitação dos românticos e desajustados.
Escura prisão de mil faces que abriga os isolados.
Teu canto, ó solidão, entoa uma sonora mudez,
que leva ao ouvido uma opressiva surdez.
Mas em meio ao oco vazio,
Faz-se ouvir a silenciosa voz do cativo solitário,
Ouve-se seu penoso cantar,
Uma rouca cantinela a se expressar,
Tomada por angústia e tristeza.
Sufocado,
Sufocado o pobre solitário está,
Pela presença da ausência que se faz mostrar,
No qual seu espírito sem ânimo foi afogado.
Agoniado,
Agoniado o infeliz solitário está,
Procura no tédio algo para se ludibriar,
Algo temeroso que mantenha o mal afastado
Perfurado,
Perfurado o coração do triste solitário está,
Que anseias encontrar afeto, alguém para amar,
Mas vê-se terrivelmente em sua cela isolado.
Perturbado,
Perturbado o espírito do infeliz solitário está,
Por entre sombras, não há rumo em seu caminhar,
Sufocado em murmúrios que o faz desorientado.
Desolado,
Desolado o deprimido solitário está,
Que recorda luzes que não voltam a brilhar,
E sente o mundo inteiro distante e despovoado.
Alienado,
Alienado o estranho solitário está,
Vive um sentimento de não saber onde estar,
Distante de tudo seu espírito se encontra exilado.
Não há consolo definitivo
Numa terra estranha onde paira
Em seus prados um vil sentimento furtivo,
Um emanar de uma nauseante aura:
Solidão...
Triste Solidão...
Janilson Fialho (XVIII.XII.MMXXV)
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