MÚSICA ABSOLUTA E MÚSICA PROGRAMÁTICA: AUTONOMIA, SENTIDO E REPRESENTAÇÃO NA TRADIÇÃO OCIDENTAL
Janilson Ferreira Fialho Filho INTRODUÇÃO A música ocidental desenvolveu-se não apenas como um conjunto de técnicas composicionais — melodia, harmonia, ritmo e forma —, mas também como um objeto de reflexão estética. A pergunta “o que é a música?” envolve outra, ainda mais profunda: a música representa algo fora de si, ou ela existe por si mesma? Dessa questão surgem dois pólos conceituais fundamentais: de um lado, a música absoluta , isto é, a música instrumental que existe “em si”, sem depender de narrativas, textos ou representações externas ; de outro, a música programática , cuja intenção é evocar, descrever ou narrar algo extra-musical — uma paisagem, um acontecimento, uma história, uma emoção ou mesmo um mito. No século XIX, esses dois conceitos tornaram-se eixos centrais da estética musical, principalmente na Alemanha e na França. O debate refletia um problema filosófico mais amplo: o da autonomia da arte em face de sua função representativa . Como descrito no site da En...