Optofonias, Opus 69
Para o compositor grego Iannis Xenakis, as fronteiras formais entre música, matemática, arquitetura e desenho simplesmente não existiam. Tendo trabalhado como engenheiro e arquiteto no renomado estúdio de Le Corbusier, Xenakis percebia o som não apenas como uma sequência de notas dispostas em uma pauta convencional, mas como formas geométricas e volumes espaciais que se deslocam continuamente no tempo. Com essa mentalidade revolucionária, Xenakis transformou a história da música contemporânea antes mesmo do advento das grandes tecnologias digitais. Podemos constatar isso, por exemplo, em sua célebre peça orquestral Metastaseis , onde o compositor utilizou gráficos matemáticos em eixos cartesianos para projetar glissandos — notas que deslizam sem interrupção de uma frequência a outra. É interessante notar que esses traços lineares dos glissandos, que são desenhados para representar a evolução sonora no tempo, serviram diretamente também como blueprint para a arquitetura do teto paraból...